Publicado el 28 de Mayo de 2026
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A área turística Caminhos do Sudoeste do Café terá uma nova atração: os vinhedos e a construção de uma vinícola boutique na Estância da Barra, de propriedade do engenheiro agrônomo Abelardo Nascimento Júnior, no município de Barra do Choça.
A Bahia é um destino com uma rica história ligada à cultura do vinho. Foi ali que os povos indígenas provaram vinho pela primeira vez, após a descoberta de Porto Seguro por Pedro Álvares Cabral, no ano de 1500. A Rota dos Cafés Especiais do Planalto da Conquista, por outro lado, oferece uma experiência única, atraindo uma clientela mais exigente em busca de experiências exclusivas, que também terão a oportunidade de aprender sobre a cultura do vinho.
A Estância da Barra tem como objetivo levar o conceito de vinho gourmet aos visitantes, selecionando as uvas para seus vinhos. Os turistas também podem participar de degustações de uvas Vitis vinifera para experimentar a fruta em seu estado natural. Localizada a uma altitude de 900 metros, a propriedade já produz queijos e leite, que complementam o café local. A colheita ocorrerá em julho e agosto, utilizando um sistema de poda dupla, em 1, 8 hectares de vinhedos de Vitis vinifera. A propriedade fica a 270 quilômetros de Mucuge, 27 quilômetros de Vitoria da Conquista e 30 quilômetros do aeroporto Glauber Rocha.
O agrônomo Abelardo Nascimento Júnior visitou muitas vinícolas ao redor do mundo antes de idealizar sua vinícola boutique. Ele se propôs a criar algo diferente e único para a cultura do vinho em uma região conhecida pelo cultivo do café.
A história de Diogo Álvares Correia, conhecido como Caramuru, em Rio Vermelho, Salvador, marca o início da colonização portuguesa na Bahia. Por volta de 1509-1510, o navegador português naufragou nos recifes da região, uma área que mais tarde ficaria conhecida por sua presença francesa e, posteriormente, como uma colônia de pescadores. Essa área é hoje o bairro do Rio Vermelho. Ali, os franceses de Saint-Malo bebiam vinho europeu ao lado dos Caramuru, enquanto atuavam como intermediários com os franceses que vinham coletar pau-brasil, peles de onça e papagaios.
Aparentemente, os etruscos cultivavam vinhas desde a Idade do Bronze, a partir do século XII a.C. As primeiras vinhas que cultivaram eram variedades selvagens, que os etruscos observavam em seu ambiente natural e das quais já haviam aprendido a colher os frutos. Somente mais tarde, o contato com os povos do Mediterrâneo oriental, especialmente os gregos, permitiu-lhes importar novas ferramentas e métodos de trabalho, bem como novas vinhas de origem oriental, que eram cultivadas tal como eram, mas também cruzadas com variedades locais. Os sistemas de condução etruscos derivam da forma como as videiras crescem espontaneamente na floresta. Na natureza, a videira é um arbusto trepador que, em seu ambiente natural, a floresta, tende a usar uma árvore de suporte (estaca) para alcançar o máximo de luz possível, mas não se comporta de forma parasitária, ou seja, não interfere na árvore à qual se agarra. Esse tipo de condução é chamado de videira casada, com a videira quase "casada" com a árvore em que se apoia. As videiras eram cultivadas em choupos, bordos, olmos, oliveiras e árvores frutíferas. A condução da videira casada sobreviveu até hoje nos territórios da civilização etrusca, especialmente na região de Caserta. A poda praticada pelos etruscos era muito longa, de modo que a videira tendia a crescer muito, inclusive com ramos muito longos. Para a colheita, eles usavam as mãos nuas ou foices, escadas apoiadas nas árvores ou ferramentas compridas. Na época etrusca, a viticultura não era uma atividade especializada e, portanto, os vinhedos eram cultivados em consórcio com outras culturas, como cereais, oliveiras, árvores frutíferas e outras. Foram os etruscos que transmitiram a cultura da vinha e do vinho aos romanos, graças ao segundo rei de Roma, Numa Pompílio, de origem etrusca.
A palavra "gourmet" surgiu na Idade Média, por volta do século XIV, e deriva do francês antigo "groumet" ou "grommet", que significa "servo" ou "jovem". Seu significado evoluiu de "servo encarregado de transportar e degustar vinhos" para profissional experiente e, posteriormente, para um refinado conhecedor de alta gastronomia. Estes são os pontos-chave de sua etimologia: Origem (séculos XIV-XV): De "grommes" (servo, início do século XIV), que por sua vez deriva do inglês antigo "grom" (jovem, origem da palavra moderna "groom"). Mudança semântica: Inicialmente, um "gourmet" era um empregado comercial, especificamente um "servo encarregado de transportar vinhos" ou um "corretor de vinhos". Evolução semântica: Inevitavelmente, esses servos se tornaram conhecedores, especialistas em degustação de vinhos. Já em 1458, o termo se referia a "aquele que prova vinho, que sabe apreciá-lo".
A palavra "café" vem do árabe qahwah, que originalmente designava um tipo de vinho ou bebida estimulante. Evoluiu para o turco kahve e depois para o italiano caffè, antes de chegar ao espanhol no início do século XVIII. É frequentemente associada ao termo qahhwat al-bun ("vinho do grão"). Evolução e Etimologia Detalhada: Origem Árabe (Qahwah): O termo árabe qahwah se referia a uma bebida estimulante que, segundo interpretações históricas, suprimia a fome ou fornecia energia. Originalmente, o café era conhecido como "vinho árabe" devido à sua cor escura e efeitos estimulantes.
A cultura do vinho está ligada ao café desde os seus primórdios, como exemplificado pelo Iêmen. Este país é o berço histórico do cultivo e exportação de café, cujo cultivo começou a se espalhar no século XV d.C., e a cidade de Al-Mukha tornou-se famosa como o porto mais antigo e renomado para a exportação mundial de café (Mocha). O café era associado à cultura sufi, e os sufis estavam entre os primeiros a bebê-lo para se manterem acordados. O Iêmen monopolizou seu comércio por séculos antes que os grãos fossem contrabandeados para fora do país. Por outro lado, a viticultura e a produção de vinho eram conhecidas no antigo Iêmen desde o primeiro milênio a.C. e floresceram como uma bebida social e ritual nos reinos de Sabá e Himiar, onde foram encontradas inscrições antigas e prensas de vinho, e a deusa Dhat Muzar era até venerada como a deusa do vinho. A viticultura floresceu, especialmente nas terras altas do Iêmen. As inscrições de Musnad atestam isso, e escavações revelaram os restos de antigas prensas de vinho em áreas como Wadi Tihama e Sana'a. A deusa "Dhat Muzar": Os antigos iemenitas veneravam uma deusa chamada "Dhat Muzar" (a Senhora do Vinho/mizr) como uma divindade associada à produção e ao consumo de vinho. Artefatos, como estátuas que a representam, demonstram a importância dessa bebida em suas vidas.
O vinho iemenita era amplamente reconhecido e fazia parte do antigo comércio do Iêmen com as regiões vizinhas. Período pré-islâmico: Fontes históricas indicam que o Iêmen (e outras partes da Península Arábica) conheciam as vinhas e a produção de vinho. O vinho fazia parte das tradições sociais antes de sua proibição. Transição para o café: Após a chegada do Islã, a produção de vinho declinou completamente e os iemenitas passaram a cultivar café (especialmente entre os séculos XIV e XV d.C.), difundindo-o de Mocha para o resto do mundo. O café é mencionado em antigas inscrições iemenitas de Musnad (uvas) com a palavra "Vinho".
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