Flores da Cunha.


Publicado el 03 de Junio de 2026


Flores da Cunha.

Para entender o município de Flores da Cunha, não basta contar sua história de forma estrita, literal ou cronológica. O maior produtor de uvas do Brasil também precisa ser explicado através da emoção e da poesia.

Autor: Guillermo César Gómez

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Flores da Cunha e Nova Pádua

Flores da Cunha e Nova Pádua – emancipado de Flores da Cunha em 1992 – fazem parte da mesma região vinícola e rota de Altos Montes, na Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul. Esta região é caracterizada por montanhas e colinas que atingem entre 600 e 800 metros de altitude, apresentam uma ampla amplitude térmica e onde as uvas Vitis vinifera são colhidas manualmente. De fato, esta é uma das nove indicações geográficas do vinho brasileiro: a Indicação de Procedência (IP) Altos Montes. Saiba quais vinícolas fazem parte da Associação de Produtores de Vinho de Altos Montes. Entre outras vinícolas, destacam-se:

Boscato Fine Wines

Casa Venturini Wines and Sparkling Wines

Cave de Angelina – Wines and Vineyards

Fante Beverages

Luiz Argenta Fine Wines

Terrasul Fine Wines

Valdemiz Fine Wines

Vinos Fabián

Vinos Viapiana

Familia Bebber Mioranza

Panizzon

Além disso, a Flores da Cunha orgulha-se de ser sede da primeira loja de vinhos online dedicada exclusivamente a vinhos brasileiros e um clube de vinhos acessível por adesão através da empresa: https://www.vinhosevinhos.com/. Publica também o seu próprio jornal semanal, O Florense, (www.jornaloflorense.com.br) dirigido e fundado pelo jornalista Carlos Raimundo Paviani.

Em navios a vapor

Partiram do porto de Génova e desembarcaram nas terras coloniais do sul do Brasil. Quem diria que nos navios a vapor que cruzavam o Atlântico infinito, se misturariam os dialetos dos imigrantes – dialetos de diferentes terras, que a Itália, após a unificação, procuraria mais tarde padronizar? A maioria dos imigrantes era analfabeta; usavam suas impressões digitais para assinar seus nomes. Mas trouxeram consigo o hábito ancestral de lavrar a terra, forjar e moldar o ferro no fogo, limpar o mato e cortar pedra e madeira com esforço hercúleo. Não havia descanso; o Brasil da monarquia ficava longe, alheio a esse trabalho.

A Terra

Chegaram à distante América para plantar trigo, tubérculos, vinhas e milho para fazer polenta. O principal objetivo era a sobrevivência, “se vinci, o se more”, repetiam os imigrantes em seu estoicismo. Um animal era a esperança de comer carne após o seu sacrifício; as vacas davam leite; outros cuidavam de cabras; e havia aqueles que olhavam para o céu, em busca de pássaros silvestres para comer — tudo era alimento. Os homens dedicavam-se ao trabalho exaustivo, e as mulheres daquela terra heroica dividiam seu trabalho entre os campos e a cozinha. Crianças nasciam todos os anos; elas seriam a futura força de trabalho. Naqueles tempos, uma pessoa era considerada criança até os sete anos de idade. Depois dessa idade, havia uma tarefa física, um trabalho a cumprir como parte da diligência da família. Trabalhavam do nascer ao pôr do sol; não havia tempo para lazer filosófico, nem para arte inspiradora; tudo era trabalho árduo. Aquelas vinhas acabavam em jarras, aos pés da mesa, de vinho doce feito com uvas Isabel ou Bordo.

As mulheres... Aquelas mulheres de Nova Trento, da gênese do que hoje é Flores da Cunha, eram as trabalhadoras de cabelos claros da província austríaca de Trento, que não tinham descanso. Na hora do almoço, continuavam com todas as suas tarefas e costumes. Durante as refeições, era comum colocar pão em uma taça de vinho, "el potchar", para dar força aos homens para o trabalho ao ar livre. Os assados do menarosto também eram acompanhados de vinho.

O Sonho

Impulsionado pelo sonho americano, o imigrante deixou sua terra natal, enfrentando a dor e todos os medos do vasto Atlântico, em uma longa aventura repleta de nostalgia e emoção. No Brasil, entre os morros íngremes, ele limpou o mato e cultivou as vinhas nas encostas, forjando assim um legado que perdura até hoje. Hoje, o vinho flui, fonte de saúde, centro de alegria e sonhos revigorantes. A semente plantada pelos agricultores italianos produziu sabores únicos nos pratos preparados pelas mãos delicadas de suas mulheres. Ali, uma estrutura monumental feita de 11.122 pedras de basalto, com campanário e relógio, ergue-se como um farol imponente nessas terras; este monumento destaca-se acima de todas as outras construções humanas erguidas naquele lugar.

O poeta

Flores da Cunha, que antes de 1935 era chamada de Nova Trento, foi o local onde se estabeleceu o primeiro poeta da imigração Italiana Ângelo Giusti (1848–1929). O poeta agricultor registrou em seus poemas que em muito se assemelhavam a crônicas em verso, diversos fatos históricos como a chegada e denominação dos sinos de sua imponente torre, trazidos de Savóia na França, pelos frades Capuchinhos. A ele é reconhecida a autoria da letra da emblemática canção "Mérica, Mérica", que relata as angústias e esperanças dos primeiros colonizadores italianos.




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